Um Bis pode ser maior do que se pensa.
Estava indo do hospital da “Puc” para a escola, depois de uma consulta em que descobri que vou precisar de um dinheiro que não tenho para remédios que preciso mas não é este nosso foco hoje.
Pensava eu que seria mais um dia qualquer como todos que tenho mas com o que fiz e que aconteceu descobri que dia nenhum é em vão, não se não quisermos, realmente podemos fazer nosso dia valer a pena, com simples gestos de amor… Estava com fome já que saíra de casa sem tomar café, como havia dito estava indo de encontro a minha escola mas parei na redenção e resolvi comer o pão que tinha na mochila ali mesmo, pensei mais um pouco e fui a um armazém muito simples com cara de fruteira, la encontrei um cheiro tão doce não sei se de frutas não consigo explicar mas afirmo que o tal me lembrava a infância a qual passei em uma cidade próxima a Porto Alegre, na minha rua tinha um armazém com o mesmo cheiro, sabe é muito bom relembrar as coisas assim com um cheiro, um gosto, fotos em fim relembrar mas que seja assim de repente que não estejamos preparados para aquilo isso me traz uma sensação de surpresa muito maravilhosa e no momento em que ocorre nos enche de paz, sabe?
Saí do armazém com uma sacola daquelas sem propaganda do mercado, totalmente branca e sem saber por que percebo que sua simplicidade me encanta de mais, nela eu guardei um “Bis” e uma “Coca”, andei em direção ao Parque da Redenção novamente, encontrei algumas cadeiras que ficavam atrás de um restaurante e la me sentei, tal restaurante que por ser transparente me trouxe por alguns momentos um sentimento de pena própria mas que com alguns segundos de reflexão foi embora, então comi o pão seco que com a coca-cola, ficou levemente agradável mas logo percebi que tinha a obrigação interior de não desgostar da minha refeição, já que muitos não a tem, chegara na melhor parte então? Sim comeria todo o bis sozinho o mesmo guardava vinte unidades de prazer momentâneo, mas o abri e comi apenas um ao perceber que podia dividir tais vinte unidades com tanta gente, entende? E la fui eu sem arrependimento nenhum de não o comer por inteiro sozinho, comecei por um casal de meia idades que almoçava ali perto de mim, me olharam sorriram, agradeceram e eu devolvi o sorriso, atravessei o corredor de ônibus com pressa para alcançar o malabarista do outro lado da rua, chegando la dei a ele quatro das unidades de prazer, o mesmo me olhou sorriu e agradeceu diversas vezes, logo após sair dali acho que coisa de dez metros a frente encontrei um senhor cabisbaixo que vendia pilhas e rádios em um camelo extremamente simples, passando por ele deixei-lhe uma das unidades de alegria dali uns cinco metros olhei para traz e ele estava sorri-dente pensei comigo mesmo missão cumprida e dei um sorriso sozinho mesmo, depois vi um senhor lendo jornal por sinal muito concentrado e lhe ofereci um, ele me olhou com um certo ar de desprezo ou pouca importância e disse simplesmente não, pensei comigo é incrível nós estamos tão desacostumados a sermos presenteados que quando somos desconfiamos ou até mesmo tratamos mal quem apenas queria espalhar um sorriso… Sincera-mente pensei em parar por não ter tido cem por cento de sucesso na minha missão mas desistindo ali poderia deixar de fazer sorrir alguém que precisaria de um sorriso aquele dia, aquela hora, decidi então continuar voltei a atravessar o corredor de ônibus em direção ao parque novamente, vi que havia um senhor negro sentado em um dos bancos e não sei porque senti que ele era o verdadeiro motivo da minha missão ali pois realmente parecia triste mas não me prendi a imagem dele triste pois estava ali para mudar isto, não? Então me posicionei em sua frente meio que me ajoelhei e o olhei nos olhos dizendo:
-“Vamo come um bis mano velho?”
Com um jeito meio encabulado o senhor aceita mexendo a cabeça, ao sentar vi que tinha um pão em suas mãos o qual estava um pouco estragado, logo falei para ele:
-Pode comer, não fica acanhado irmão…
Então tivemos um dialogo muito breve pois infelizmente chegara a hora de ir de fato para a escola, seu nome era Jeferson, me contou que foi morar na rua por se incomodar de mais aonde vivera, pensei novamente comigo mesmo, vidas assim dariam um livro por dia, então cheguei a escola com um sentimento de renovação interior e naquele momento para mim minha satisfação era o que importava e realmente eu estava em paz comigo mesmo, uns dez minutos depois de ter conversado com um amigo meu, disse sozinho mesmo:
“Aah se todas as pessoas pudessem descobrir que o segredo da vida estava ali…”
Edison L. Jr.